como pode um rio fazer sombra
e dividir o chão
até desenraizar os portos
um rio que é água
e nunca mais será
um rio que é reflexo
e sempre é presente
um rio que guarda as palavras
atiradas das margens
pichadas nos muros
riscadas nos olhos
um rio que congela o tempo
que afoga o afeto
e confisca os gestos
mudos e surdos
herdeiros do vento
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
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