canibais de aproximam, em silêncio. cercam o cadáver: um corpo estirado, inerte sob o sol, atravessado de um lado a outro por um fresco filete de sangue.
famélicos, vorazes, eles o cobrem como bichos. cheiram, fungam, revolvem e reviram o defunto. arrancam com unhas e dentes colares, relógios, anéis e pulseira. devoram cinto e sapatos de couro. deglutem algodão egípcio, jacarés e cavalos montados.
satisfeitos, se vão. deixam para trás apenas o resto. o corpo nu, o filete de sangue, o homem.
(((enxuga)))
antropofagia
canibais rodeiam em silêncio
o corpo inerte sobre o chão
fungam cheiram resfolegam
famélicos vorazes e ferozes
cravam dentes, saliva e unhas
em anéis relógio algodão egípcio
satisfeitos, se vão velozes
deixam para trás somente o resto
o defunto nu, o morto, o homem