terça-feira, 31 de julho de 2018

véspera

a chuva na janela romanceia o mundo.

mas lá fora é frio, é feio, é sujeira pelo chão. é rádio fora de sintonia, é nenhuma estação.

o ônibus corre, os carros em zigue-zague. os relógios, tal espetos, se sucedem no atraso. não há tempo. tempo nunca houve.

por isso a linha laranja que traça a bicicleta entre os automóveis. por isso a esperança. por isso a mãe que leva o filho pela mão para a escola. por isso o homem que vende guarda-chuva e água mineral para quem passa a pé. por isso.

domingo, 29 de julho de 2018

eclipse

era nuvem
era noite
era espera

era a névoa
infinda
dentro de mim

crianças interrogavam o céu
preto, amarelo, cinza, azul
-- ainda falta o vermelho!

no peito
na garganta
no ventre

era a neblina
a nos permitir
a consumar a gente

quarta-feira, 25 de julho de 2018

respiração

uma verdade curiosa dessa coisa chamada vida é que, se algo provoca muita ansiedade, a frustração pode ser um grande alívio.