a chuva na janela romanceia o mundo.
mas lá fora é frio, é feio, é sujeira pelo chão. é rádio fora de sintonia, é nenhuma estação.
o ônibus corre, os carros em zigue-zague. os relógios, tal espetos, se sucedem no atraso. não há tempo. tempo nunca houve.
por isso a linha laranja que traça a bicicleta entre os automóveis. por isso a esperança. por isso a mãe que leva o filho pela mão para a escola. por isso o homem que vende guarda-chuva e água mineral para quem passa a pé. por isso.
terça-feira, 31 de julho de 2018
domingo, 29 de julho de 2018
eclipse
era nuvem
era noite
era espera
era a névoa
infinda
dentro de mim
crianças interrogavam o céu
preto, amarelo, cinza, azul
-- ainda falta o vermelho!
no peito
na garganta
no ventre
era a neblina
a nos permitir
a consumar a gente
era noite
era espera
era a névoa
infinda
dentro de mim
crianças interrogavam o céu
preto, amarelo, cinza, azul
-- ainda falta o vermelho!
no peito
na garganta
no ventre
era a neblina
a nos permitir
a consumar a gente
quarta-feira, 25 de julho de 2018
respiração
uma verdade curiosa dessa coisa chamada vida é que, se algo provoca muita ansiedade, a frustração pode ser um grande alívio.
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